
Em um canteiro de obras de renovação ou em uma casa nova, o cabo R2V continua sendo a referência para circuitos fixos de baixa tensão. Sua dupla isolação em PVC permite que seja instalado sem conduíte em certas configurações, mas essa flexibilidade de uso não dispensa o respeito a regras de trajeto precisas. Mal dimensionado ou mal fixado, um cabo R2V pode causar aquecimento, uma queda de tensão no circuito, ou até mesmo um incêndio em um vazio de construção.
R2V ou cabo sem halogênio: qual cabo escolher de acordo com o edifício
Quando se prepara uma instalação elétrica, o reflexo é pedir o R2V na seção adequada e passar para a próxima etapa. Esse reflexo funciona em uma casa individual ou em um local técnico padrão. Mas assim que se intervém em um estabelecimento que recebe público (ERP) ou em um edifício de grande altura (IGH), a questão do comportamento ao fogo muda a situação.
Veja também : Dicas práticas e truques para melhorar o dia a dia dos idosos com total tranquilidade
O cabo R2V utiliza uma capa de PVC que, em caso de incêndio, libera fumaças opacas e corrosivas. Em um corredor de hospital ou em uma escada de um edifício coletivo, essas fumaças complicam a evacuação e danificam os equipamentos vizinhos. É por isso que os ERP e IGH exigem cabos sem halogênio, como o FRN1X6G3, cuja capa libera fumaças de baixa opacidade e sem gases ácidos.
Para instalar um cabo r2v com segurança, primeiro se verifica o tipo de edifício e o trajeto previsto. O R2V é perfeitamente adequado para residências, em locais anexos ou em instalação enterrada sob conduíte TPC. O cabo sem halogênio assume o controle em locais de dormir coletivo, garagens subterrâneas e shafts técnicos verticais dos IGH.
Veja também : Animais exóticos como animais de estimação: tendências e dicas
Na prática, em um canteiro de obras misto (um comércio no térreo com apartamentos acima), pode-se cruzar os dois tipos de cabos no mesmo quadro de distribuição. O ponto de transição é o trajeto: assim que o cabo atravessa um espaço onde o público circula ou dorme, muda-se para o sem halogênio.

Seção do cabo R2V: dimensionar de acordo com o comprimento do circuito
A seção do condutor é o parâmetro que concentra o maior número de erros em campo. Muitas vezes, escolhe-se a seção com base na amperagem do disjuntor, o que é um bom ponto de partida, mas insuficiente quando o circuito ultrapassa algumas dezenas de metros.
A queda de tensão, uma restrição ignorada em circuitos longos
A norma NF C 15-100 estabelece uma queda de tensão máxima admissível entre o quadro e o ponto de uso. Em um circuito de iluminação alimentado em monofásico, esse limite impõe o aumento da seção assim que o comprimento aumenta, mesmo que a potência solicitada permaneça modesta.
A abordagem de cálculo segue uma sequência lógica: parte-se da potência do aparelho, deduz-se a intensidade (P dividido pela tensão), e então cruza-se essa intensidade com o comprimento do circuito para verificar se a queda de tensão permanece dentro dos limites. Se ultrapassar o limite, passa-se para a seção superior.
Um caso comum: a alimentação de um portão ou de uma iluminação de jardim a várias dezenas de metros do quadro. Com um cabo R2V 3G1,5 mm², a queda de tensão pode ultrapassar o limite admissível. Passa-se então para o 3G2,5 mm², ou até mesmo para o 3G4 mm², dependendo da distância e da carga.
Correspondência entre seção, disjuntor e uso corrente
A norma impõe associações mínimas entre seção e amperagem de proteção. Os retornos variam em alguns casos limites, mas a lógica permanece a mesma: o disjuntor protege o cabo, não o aparelho.
- Circuito de iluminação: seção 1,5 mm², disjuntor adequado ao calibre previsto pela norma, limitado em número de pontos luminosos por circuito.
- Tomadas de corrente convencionais: seção 2,5 mm², com um número máximo de soquetes por circuito definido pela NF C 15-100.
- Circuitos especializados (forno, placa, aquecedor de água): seção a partir de 4 ou 6 mm², dependendo da potência do aparelho, cada circuito dedicado a um único equipamento.

Instalação do cabo R2V: os erros de trajeto que se repetem em cada canteiro
A instalação do cabo R2V parece simples, mas é nos detalhes do trajeto que as não conformidades se acumulam.
Passagem em vazio de construção e fixação
O R2V pode ser instalado diretamente aparente, embutido ou puxado em um vazio de construção (teto falso, parede oca). Neste último caso, o cabo deve ser fixado ou mantido de forma a não repousar sobre um material combustível sem proteção. Utiliza-se braçadeiras ou canaletas metálicas para evitar qualquer contato prolongado com o isolante térmico ou a madeira da estrutura.
O erro clássico: deixar o cabo posicionado livremente sobre painéis de lã mineral em um teto falso, sem qualquer fixação. Em caso de sobrecarga, o aquecimento do cabo não é dissipado corretamente.
Instalação enterrada e proteção mecânica
Do lado de fora, o R2V é enterrado sob conduíte TPC vermelho a uma profundidade mínima de 50 cm sob uma grama, mais sob uma área trafegável. O cabo é colocado sobre uma camada de areia, e depois coberto com areia antes de desenrolar uma tela de aviso vermelho.
- Camada de areia no fundo da vala para evitar pedras que possam danificar a capa.
- Conduíte TPC vermelho de diâmetro suficiente para puxar o cabo sem forçar.
- Tela de aviso colocada a meia altura do aterro, visível durante qualquer futura escavação.
- Marcação do trajeto em um plano, mantido com o dossiê da instalação.
Conexão ao quadro elétrico: precauções de colocação em serviço
A conexão do cabo R2V ao quadro é a última etapa, mas concentra riscos se se trabalha sob tensão ou se se negligencia o aperto.
Corta-se a alimentação geral no disjuntor de ramificação. A descascagem da capa externa é feita com um estilete de lâmina retrátil, fazendo um corte no sentido do comprimento sem danificar os isolantes dos condutores internos. Um isolante danificado é um futuro defeito de isolamento, muitas vezes invisível no momento da instalação.
Os condutores são conectados ao terminal do disjuntor ou ao terminal de terra do quadro. O aperto é verificado com o torque recomendado pelo fabricante do equipamento. Um aperto insuficiente provoca um ponto quente que pode derreter o plástico do disjuntor após alguns meses de operação.
Antes de reenergizar, um teste de isolamento entre condutores ativos e condutor de terra permite detectar um defeito na capa ou um contato acidental. Em instalações novas, esse controle faz parte do diagnóstico Consuel. Em uma extensão, é uma verificação que se faz sozinho com um megôhmetro, ou que se confia a um eletricista.
O cabo R2V continua sendo um produto confiável e econômico para a maioria das instalações residenciais. O julgamento com um cabo sem halogênio se baseia no tipo de edifício e no percurso do cabo, não em uma questão de qualidade. Dimensionar corretamente a seção, respeitar as profundidades de enterramento e cuidar da conexão ao quadro: esses três pontos cobrem a grande maioria dos defeitos constatados durante os controles de conformidade.